October 28, 2013 at 11:54 am


about

SOPHIA

é um espectáculo transdisciplinar e multimédia no qual se fundem três vectores – imagem, som e palavra. A obra de Sophia de Mello Breyner está na génese da instalação poética I explorando os sentidos do público para alem do perceptível, transcendendo os limites concretos da palavra, aqui utilizada aqui como veiculo sonoro. A imagem e o som são realizados em tempo real e funcionam em paralelo com a palavra. Confrontamo-nos com a obra de Sophia num discurso audiovisual interactivo, dando corpo a um espectáculo assente numa linha dramatúrgica interdisciplinar e experimental.

Vera Paz (Interpretação) www.dasentranhas.com Actriz. Nasceu em Lisboa. Iniciou o seu percurso teatral no TEUC, em 1991. Desde então trabalhou com Jorge Fraga, Lúcia Sigalho, Jorge Listopad, Augusto Boal, Rogério de Carvalho, João Brites, entre outros.  Fundadora e Directora artística d’As Entranhas – Associação cultural (1999). Tem formação em dança clássica pelo Hong Kong Academy for Performing Arts.

Bernardo Gomes de Amorim (Video)www.bernardoamorim.com Video Designer. Iniciou o seu percurso teatral em 1998, tendo desde então trabalhado com Fernando Galrito, Jorge Fraga, Alberto Lopes, entre outros. Responsável criativo pelas intervenções nas fachadas do Teatro da Trindade, em Lisboa.Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Desenvolve pesquisas na área da percepção audiovisual, no formato instalação.

Francisco Furtado (Audio) www.franciscofurtado.net Designer de Som e ambientes para jogos de computador. Concepção de efeitos sonoros, representação de voz e música.  Licenciado em Design de Comunicação na F.B.A.U.L. Formação complementar em Audio para Cinema e Video na Restart. Aprendizagem teórica e prática de Guitarra Jazz na escola do Hot Club.

Sophia de Mello Breyner Sophia de Mello Breyner nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado.

Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Teve uma intervenção política empenhada, participou activamente na oposição ao Estado Novo (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e foi eleita, depois do 25 de Abril, deputada à Assembleia Constituinte. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores.

A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente à trágica vida humana são reflexo de uma formação clássica.

O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença recorrente nos versos de Sophia, através da sua crença profunda na união entre os deuses e a natureza, tal como outra dimensão da religiosidade, provinda da tradição bíblica e cristã.

Colaborou nas revistas Cadernos de Poesia (1940), Távola Redonda (1950) e Árvore (1951) e conviveu com nomes da literatura como Miguel Torga, Ruy Cinatti e Jorge de Sena.

Na lírica, estreou-se com Poesia (1944), a que se seguiram Dia do Mar (1947), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), Mar Novo (1958), O Cristo Cigano(1961), Livro Sexto (1962 – Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores), Geografia (1967), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977- Prémio Teixeira de Pascoaes), Navegações (1977-82) e Ilhas (1989). Seguiram-se os títulos Musa (1994) e O Búzio de Cós (1997). Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993).

Em prosa, escreveu O Rapaz de Bronze (1956), Contos Exemplares (1962), Histórias da Terra e do Mar (1984) e os contos infantis A Fada Oriana (1958),A Menina do Mar (1958), Noite de Natal (1959), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). É ainda autora dos ensaios Cecília Meireles (1958),Poesia e Realidade (1960) e O Nu na Antiguidade Clássica (1975).

Traduziu Dante, Shakespeare, Eurípides, Claudel e para o francês, alguns poetas portugueses.

A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1995, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos e o Prémio Camões, em 1999.

Em 2001, foi distinguida com o Prémio de Poesia Max Jacob e o Prémio Raínha Sofia de Poesia Ibero-Americana em 2003.